À Drª Manuela Soares
Fiz parte do grupo de alunos que iniciaram a Comunidade do “Colégio”, no tempo em que funcionava em dois andares dos chamados prédios do Varela.
Era uma espécie de casa de família, um pouco à semelhança da própria casa dos seus fundadores, que moravam no mesmo prédio, dois andares acima. Uma espécie de extensão dessa casa…
Mudámos depois, todos, para uma casa nova e mais adequada a duas famílias que estavam a crescer, regozijando-nos sempre que um novo membro nascia ou chegava; e chorando os que morriam. Deixou-nos agora a nossa Directora, a mãe de família.
Fecha-se assim, um ciclo, talvez o mais significativo de todos pelos quais o “Colégio” passou; aquele que ainda nos unia em torno de uma mãe, que permanecia como o último pilar forte de uma família depois da morte do Dr. Soares. A ambos temos que agradecer a obra meritória que ergueram e que contribuiu decisivamente para o desenvolvimento de gerações de nazarenos que tiveram acesso a uma escolaridade mais alargada, motor de progresso cultural e científico, ao longo dos últimos cinquenta anos…
Com ela entrámos no mundo das Ciências da Natureza__ a Zoologia, a Mineralogia, a Botânica, o Corpo Humano__ e iniciámo-nos nos mistérios e meandros da nossa língua, para compreender e expressar, também, outras realidades mais subjectivas, como a tristeza neste momento da partida.
Cecilia Louraço
Sede
R. Dr. Rui Rosa, 6A (loja) 2450-209 Nazaré
contacto: liganazare@gmail.com
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Dia de São Brás

Hoje, dia 3 de Fevereiro, é dia de São Brás (olha a novidade!!).
Na Nazaré, significa, praticamente, o início do Carnaval, pois aparecem imensos “peregrinos” “ensaiados”, a área circundante ao monte é ocupada por grupos de familiares ou amigos que “bivacam” junto a fogueiras onde se banqueteiam com riquíssimos, variados e bem regados farnéis e para dar uma pequena nota da quase esquecida tradição, se assam algumas morcelas e chouriços. A afluência é tanta que, no dia anterior, o pinhal circundante do lado da estrada é "ocupado" com a montagem de tendas para marcar o lugar. Há, até, quem por lá pernoite… Mas nada de confusões: o troço de estrada que conduz á base do monte, é uma espécie de linha de fronteira; do lado do Valado ficam os valadeiros e do lado da Nazaré os nazarenos.
A música “pimba” e marchinhas de outros carnavais, executadas por conjuntos musicais nativos, fazem a sua aparição em palcos improvisados em camionetas equipadas com o último grito de instalações sonoras que debitam decibéis capazes de estoirar com os tímpanos endurecidos do pobre São Brás.
Bailes espontâneos, copos, barracas de comes e bebes, de bijutaria, de tremoços, pevides e passarolas, farturas e tudo o que mais se possa imaginar numa, cada vez menos pequena, feira, tudo ali aparece. Algumas poucas pessoas ainda se atrevem a subir até á Ermida, mas as mulheres sem a telha á cabeça, como antigamente… Saberão o significado dessa tão antiga tradição ? Leiam e vejam se descobrem o porquê.
Mas, afinal, quem foi São Brás de que tanta gente fala por estas alturas e que talvez, muitos poucos, conheçam a sua história?
Decidimos procurar na internet, obviamente, e de lá respigamos o que segue:
São Brás, nasceu na cidade de Sebaste, Arménia, no final do século III. Numa primeira etapa da sua vida, foi um bom médico, dedicado aos mais desprotegidos. Depois de evangelizado e baptizado, a sua vida sofreu uma reviravolta e dedicou-se ele próprio, á evangelização. Mais tarde sentiu necessidade de se isolar do resto do mundo e retirou-se para o Monte Argeu.
Ao falecer o bispo de Sebaste, o povo, conhecendo a fama do santo eremita, foi buscá-lo para o substituir.
Contudo, continuou a viver isolado no Monte Argeu, lugar que passou a ser a sua casa episcopal e era dali que governava a Igreja.
São Brás viveu num tempo em que a Igreja foi duramente perseguida pelo imperador do Oriente, Licínio, que era cunhado do imperador do Ocidente, Constantino. Por motivos políticos e por ódio, Licínio começou a perseguir os cristãos, porque sabia que Constantino era a favor do Cristianismo.
O prefeito de Sebaste, dentro deste contexto e querendo agradar ao imperador, por saber da fama de santidade do bispo São Brás, enviou os soldados para o Monte Argeu.
São Brás foi preso e sofreu muitas pressões para que renunciasse à fé. Mas por amor a Cristo e à Igreja, preferiu renunciar à própria vida. Em 316, foi degolado.
Conta a história que, ao dirigir-se para o martírio, uma mãe apresentou-lhe uma criança de colo que estava morrendo engasgada por uma espinha de peixe na garganta. Ele parou, olhou para o céu, orou e Nosso Senhor curou aquela criança.
Na Nazaré, significa, praticamente, o início do Carnaval, pois aparecem imensos “peregrinos” “ensaiados”, a área circundante ao monte é ocupada por grupos de familiares ou amigos que “bivacam” junto a fogueiras onde se banqueteiam com riquíssimos, variados e bem regados farnéis e para dar uma pequena nota da quase esquecida tradição, se assam algumas morcelas e chouriços. A afluência é tanta que, no dia anterior, o pinhal circundante do lado da estrada é "ocupado" com a montagem de tendas para marcar o lugar. Há, até, quem por lá pernoite… Mas nada de confusões: o troço de estrada que conduz á base do monte, é uma espécie de linha de fronteira; do lado do Valado ficam os valadeiros e do lado da Nazaré os nazarenos.
A música “pimba” e marchinhas de outros carnavais, executadas por conjuntos musicais nativos, fazem a sua aparição em palcos improvisados em camionetas equipadas com o último grito de instalações sonoras que debitam decibéis capazes de estoirar com os tímpanos endurecidos do pobre São Brás.
Bailes espontâneos, copos, barracas de comes e bebes, de bijutaria, de tremoços, pevides e passarolas, farturas e tudo o que mais se possa imaginar numa, cada vez menos pequena, feira, tudo ali aparece. Algumas poucas pessoas ainda se atrevem a subir até á Ermida, mas as mulheres sem a telha á cabeça, como antigamente… Saberão o significado dessa tão antiga tradição ? Leiam e vejam se descobrem o porquê.
Mas, afinal, quem foi São Brás de que tanta gente fala por estas alturas e que talvez, muitos poucos, conheçam a sua história?
Decidimos procurar na internet, obviamente, e de lá respigamos o que segue:
São Brás, nasceu na cidade de Sebaste, Arménia, no final do século III. Numa primeira etapa da sua vida, foi um bom médico, dedicado aos mais desprotegidos. Depois de evangelizado e baptizado, a sua vida sofreu uma reviravolta e dedicou-se ele próprio, á evangelização. Mais tarde sentiu necessidade de se isolar do resto do mundo e retirou-se para o Monte Argeu.
Ao falecer o bispo de Sebaste, o povo, conhecendo a fama do santo eremita, foi buscá-lo para o substituir.
Contudo, continuou a viver isolado no Monte Argeu, lugar que passou a ser a sua casa episcopal e era dali que governava a Igreja.
São Brás viveu num tempo em que a Igreja foi duramente perseguida pelo imperador do Oriente, Licínio, que era cunhado do imperador do Ocidente, Constantino. Por motivos políticos e por ódio, Licínio começou a perseguir os cristãos, porque sabia que Constantino era a favor do Cristianismo.
O prefeito de Sebaste, dentro deste contexto e querendo agradar ao imperador, por saber da fama de santidade do bispo São Brás, enviou os soldados para o Monte Argeu.
São Brás foi preso e sofreu muitas pressões para que renunciasse à fé. Mas por amor a Cristo e à Igreja, preferiu renunciar à própria vida. Em 316, foi degolado.
Conta a história que, ao dirigir-se para o martírio, uma mãe apresentou-lhe uma criança de colo que estava morrendo engasgada por uma espinha de peixe na garganta. Ele parou, olhou para o céu, orou e Nosso Senhor curou aquela criança.
São Brás, rogai por nós!
ECouto
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
No escaparate dos jornais, à passagem por Alfeizerão, lia-se no jornal Região da Nazaré, em destaque, que a Protecção Civil e a Nazaré se preparavam para
Passagem de Ano.
Relacionei, então, este assunto com os comentários que ouvira a duas nazarenas, muito agastadas com o facto de que a ambulância teria andado toda a noite a socorrer gente...
Não era tragédia no mar, mas sim em terra: jovens de 12 15, 16 anos todos em estado de intoxicação etílica, leia-se bebedeira,a precisarem de ajuda.
Isto seria lá com eles, não fora o barulho que incomodava todos os que queriam descansar e o perigo inconsciente, próprio da juventude, que corriam e que exigia protecção de si próprios.
Mal vão as coisas quando é preciso pôr em alerta os meios de socorro e quando uma terra é procurada pela balbúrdia e pelo risco que nela se corre... mesmo que seja numa passagem de ano.
Não é esta, decerto, a imagem que queremos para a Nazaré; era pelo menos o sentimento expresso na conversa das duas mulheres.
Haverá, certamente, melhor maneira de festejar a passagem de ano, com oferta de diversão mais interessante e responsável,em vez de confusão, barulho e bebida até cair inconsciente.
Trata-se de atrair turistas criando, ao mesmo tempo, uma imagem culturalmente mais condigna para Nazaré.
Passagem de Ano.
Relacionei, então, este assunto com os comentários que ouvira a duas nazarenas, muito agastadas com o facto de que a ambulância teria andado toda a noite a socorrer gente...
Não era tragédia no mar, mas sim em terra: jovens de 12 15, 16 anos todos em estado de intoxicação etílica, leia-se bebedeira,a precisarem de ajuda.
Isto seria lá com eles, não fora o barulho que incomodava todos os que queriam descansar e o perigo inconsciente, próprio da juventude, que corriam e que exigia protecção de si próprios.
Mal vão as coisas quando é preciso pôr em alerta os meios de socorro e quando uma terra é procurada pela balbúrdia e pelo risco que nela se corre... mesmo que seja numa passagem de ano.
Não é esta, decerto, a imagem que queremos para a Nazaré; era pelo menos o sentimento expresso na conversa das duas mulheres.
Haverá, certamente, melhor maneira de festejar a passagem de ano, com oferta de diversão mais interessante e responsável,em vez de confusão, barulho e bebida até cair inconsciente.
Trata-se de atrair turistas criando, ao mesmo tempo, uma imagem culturalmente mais condigna para Nazaré.
domingo, 3 de janeiro de 2010
Património paisagístico
A paisagem é uma das facetas mais conhecidas e apreciadas do património da Nazaré e das povoações que compõem a sede do Concelho.
Mais conhecida e divulgada é a paisagem que se avista do Sítio, fruto da grande importância histórica desta povoação, enquanto Santuário de Nossa Senhora da Nazaré, desde épocas que remontam ao século XVI e que constitui, também, parte do seu património religioso.
Menos conhecida e visitada é a povoação mais antiga da Pederneira, que oferece também, aos olhos apreciadores das belezas naturais deste cantinho junto ao mar, motivo de espanto e comunhão, quase transcendente, com o mar, ao qual se sobrepuja a escarpa rochosa do promontório dominada pelo Forte de S.Miguel Arcanjo.
Aos pés destes dois promontórios, o conjunto aninhado das casas brancas que se vai estendendo por onde ainda há algum espaço, embora redimensionado a outras necessidades impostas pelos tempos actuais.
É esta paisagem que temos também que valorizar e defender enquanto património, deixando-a livre e franca a todos os que a sabem apreciar.
Embora afastada das lides piscatórias a população da Pederneira já viveu do Mar e da Terra, simultaneamente, e sente-se nazareno de gema vivendo e sofrendo, em comunhão com os seus conterrâneos da Praia, todas as tragédias que se desenrolavam, mais antigamente que agora felizmente, a partir dos seus miradouros naturais que são varandas sobre o Mar em fúria.
Não nos tirem a vista do Mar, pois com ela, vai também um pedaço da nossa identidade!...
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
FELIZ NATAL E PRÓSPERO 2010
Estamos quase no Natal.
Nesta época é normal desejarmos aos amigos e não só, "Um feliz Natal e um próspero Ano Novo". Para além da rotina do gesto, fica sempre, lá bem no fundo, o secreto desejo de que, finalmente tal aconteça. Mas como já não acreditamos (ou, sim, acreditamos?) no Pai Natal, nas renas e no trenó, não me atrevo a pedir para a nossa Liga, a tradicional saúde, paz e amor. Mas se eu acreditasse, então pediria ao Papá Noel, para nos deixar no "sapatinho":
1 - Uma Sede, (pois corremos o risco de não ter uma casa onde deixar o "sapatinho") e isso traria "PAZ" aos nossos espíritos angustiados.
2 - Mais Sócios, muitos, o que contribuiria sobre maneira para a boa "SAÚDE" da Liga.
3 - Defesa dos nossos Patrimónios, com o comprometimento sério das Entidades responsáveis, demonstrando, inequívocamente, total "AMOR" por essa tão nobre causa.
Pelo sim pelo não, Pai Natal , aqui ficam alguns dos desejos da "Liga dos Amigos da Nazaré".
Não queiras contribuir para a minha descrença, e mostra o que vales.
Eugénio Couto
Nesta época é normal desejarmos aos amigos e não só, "Um feliz Natal e um próspero Ano Novo". Para além da rotina do gesto, fica sempre, lá bem no fundo, o secreto desejo de que, finalmente tal aconteça. Mas como já não acreditamos (ou, sim, acreditamos?) no Pai Natal, nas renas e no trenó, não me atrevo a pedir para a nossa Liga, a tradicional saúde, paz e amor. Mas se eu acreditasse, então pediria ao Papá Noel, para nos deixar no "sapatinho":
1 - Uma Sede, (pois corremos o risco de não ter uma casa onde deixar o "sapatinho") e isso traria "PAZ" aos nossos espíritos angustiados.
2 - Mais Sócios, muitos, o que contribuiria sobre maneira para a boa "SAÚDE" da Liga.
3 - Defesa dos nossos Patrimónios, com o comprometimento sério das Entidades responsáveis, demonstrando, inequívocamente, total "AMOR" por essa tão nobre causa.
Pelo sim pelo não, Pai Natal , aqui ficam alguns dos desejos da "Liga dos Amigos da Nazaré".
Não queiras contribuir para a minha descrença, e mostra o que vales.
Eugénio Couto
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
O gabão
Agora que o tempo vai ficando mais de acordo com o fim do Outono e o frio parece ter chegado, vem-me à memória o gabão do meu avô Alberto.
Revejo-o, bem cedinho, calças de “sorrobeco” ligeiramente arregaçadas, atilhos das ceroulas à vista, camisa de escocês e barrete com a borla caída para a frente, descer a rua que o levava até ao Sobêrco, levado pelos tamancos de madeira, troc, troc, troc, embrulhado no gabão castanho já bastante coçado de tanto uso, da chuva e das invernias, onde ia encontrar alguns companheiros, observar o mar, olhar o horizonte, levantar os olhos ao céu, pigarrear e sentenciar, após o “Bom dia, companheiros!”: Ná! ainda não é desta; aquela parede negra ali ao mar é sudoeste e chuva e esta rabiosasinha e o mar à Pedra, é sinal do que tá pra vir.
Empoleirava-se no muro do Sobêrco, pés para o lado da praia, gabão enrodilhado ao corpo e pernas e daí continuava a perscrutar o horizonte, a observar o comportamento do mar na “Pedra” e a magicar se deveria chamar o filho mestre, ou deixá-lo decidir o que fazer. Vinte e tantas famílias à responsabilidade do filho; ir para o mar e correr o risco ou continuar em terra, porque o tempo não estava de feição. Era um problema e pêras! Ele que resolvesse. Nunca se deixou levar pelos receios do pai e não era agora que isso ia acontecer, portanto, o melhor era esperar que ele chegasse ao Sobêrco, observasse o tempo e decidisse.
Eu morava ali, bem pertinho do Sobêrco onde ia ter com o meu avô, para, sentado entre as suas pernas e abrigado pelo velho gabão, só com as orelhas de fora, ouvir os comentários dos mais velhos, sobre tudo aquilo de que, pouco ou nada, entendia.
Quando necessitava dos olhos do seu “companheiro”, era assim que me chamava, o meu avô Alberto batia ao de leve na janela do meu quarto e chamava-me baixinho. De imediato saltava da cama, vestia-me a correr e lá ia eu, protegido do frio pelo calor do seu corpo e pelo velho e glorioso gabão castanho, fazer-lhe companhia, visitar o faroleiro e tentar vislumbrar algum barco do alto, no horizonte, quando o tempo estava “zarro” e nada se sabia do “Conquistável”. Olha para aquela direcção, companheiro,_ apontava ele. Ainda não? Na vês nada? Mau Maria! Até que, finalmente, aparecia um ponto escuro no horizonte. Ah! vô, tou a ver._ Aponta lá para onde tás a ver. Apontava. _Atão, são eles! E lá corríamos para a praia a preparar os “panais”,”chamar os bois”, carregar uma “espia” para a borda d’água e esperar que o barco encalhasse, “na graça de Deus”.
Sempre tive uma adoração muito especial por este avô (o paterno nunca o conheci, pois morrera no ano da pneumónica) que me mimava mais do que a qualquer outro neto, embora ele, piedosamente, sempre o negasse aos outros filhos mais ciumentos.
Mas, na verdade, os pardais que entravam nas águas furtadas e ele trazia escondidos no barrete, a nota de vinte mil reis nas Festas, alguns dos trocos que restavam das “contas”, e tantos outros pequenos grandes mimos, eram para este neto.
Já era eu um homenzinho, o tal gabão castanho foi dado a um dos sete filhos com mais dificuldades e o avô passou a usar o varino preto, vestimenta dos dias festivos frios, que a pouco e pouco foi ocupando o lugar do velho gabão castanho. Ambos desapareceram, após a sua morte.
Ainda procurei recuperar o tal gabão. Demasiada tarde. Hoje, sinto saudades do calor daquele gabão castanho do meu avô Alberto.
O Sobêrco, esse, continua a ser o meu local preferido para olhar o mar, a “Pedra”, “cheirar” o tempo, encontrar os rapazes da minha juventude e falar dos gabões de outros tempos.
Eugénio Couto
Foto cedida po Fernando Barqueiro
Notas
A Pedra – Assim se referiam os pescadores á Pedra de Guilhim, por ser a mais conspícua.
Rabiosa – Rebentação a merecer especial atenção e alguns cuidados, no “encalhar” e “entrar ao mar”.
Zarro – áspero, mau (relativamente ao estado do tempo).
Panais – Peças de 3 a 4 metros de madeira (pinheiro) sobre as quais, as embarcações mais pesadas, deslizavam.
Espia – Peça de cabo fino lançado da ou para a embarcação que encalhava.
Contas (fazer) – Fazer a repartição dos ganhos (quinhões) pela companha (tripulação).
Barco do Alto – Barco de pesca, longe da costa, com anzol.
Chamar os bois – Avisar os “boieiros” (donos das juntas de bois) da Pederneira, para que baixassem, com os bois, até á praia.
domingo, 22 de novembro de 2009
Recordando...
Era assim a vista que eu podia desfrutar do muro da minha casa, na Pederneira.
Na colina, o chamado Casal dos Cucos era enquadrado por pinhal e no sopé erguia-se a chaminé do Forno de tijolo, que tinha adjacente a barreira e o pequeno lago que aparava as águas que dela escorriam. Era a matéria prima do último forno deste género existente na região da Nazaré e zona limítrofe e que foi destruído pelos implacaveis desígnios da Economia.Os esforços desenvolvidos na altura, por gente atenta para salvar e preservar este património industrial,foram em vão.
Nem a chaminé ficou para assinalar o local como se fez com a fábrica da telha, desactivada mais tarde.
Do mesmo modo foi destruída, para um fim que se julga ser digno mas que requeria outra localização, a pequena casa da família Paiva,de traça estremenha e que enquadrava perfeitamente a pequena ermida, também ela já um pouco mutilada na sua feição medieval.Quem a vendeu não pertencia à família Paiva pelo sangue, e o dinheiro fala sempre mais alto, sobretudo se for pago por uma obra que se considere de interesse público.
Esta paisagem já só é possível admirar em fotografias,eventualmente, e de certeza em registos como este que se apresenta.
Na colina, o chamado Casal dos Cucos era enquadrado por pinhal e no sopé erguia-se a chaminé do Forno de tijolo, que tinha adjacente a barreira e o pequeno lago que aparava as águas que dela escorriam. Era a matéria prima do último forno deste género existente na região da Nazaré e zona limítrofe e que foi destruído pelos implacaveis desígnios da Economia.Os esforços desenvolvidos na altura, por gente atenta para salvar e preservar este património industrial,foram em vão.
Nem a chaminé ficou para assinalar o local como se fez com a fábrica da telha, desactivada mais tarde.
Do mesmo modo foi destruída, para um fim que se julga ser digno mas que requeria outra localização, a pequena casa da família Paiva,de traça estremenha e que enquadrava perfeitamente a pequena ermida, também ela já um pouco mutilada na sua feição medieval.Quem a vendeu não pertencia à família Paiva pelo sangue, e o dinheiro fala sempre mais alto, sobretudo se for pago por uma obra que se considere de interesse público.
Esta paisagem já só é possível admirar em fotografias,eventualmente, e de certeza em registos como este que se apresenta.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
